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segunda-feira, 20 de junho de 2011

CRÔNICA: "LIXO", DE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO


 Encontram-se na área de serviço. Cada um com o seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia.
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é ...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo ...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena.
- Na verdade sou só eu.
- Humm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar .
- Entendo.
- A senhora também .
- Me chama de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim.
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra.
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é ...
- No outro dia, tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei, mas tenho visto uns vidrinhos de comprimidos no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos.
- É que estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo,decidi que gostaria de conhecê-la . Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmos, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler ...
- Só não fiquei com ele porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através dos lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão!
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha...
- Nada! Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?

(Luis Fernando Veríssimo)

terça-feira, 7 de junho de 2011

CRÔNICA: UMA CRÔNICA SOBRE O VIVER


Era seu último dia de vida, mas ele ainda não sabia disso.

Naquela manhã, sentiu vontade de dormir mais um pouco. Estava cansado porque na noite anterior fora se deitar muito tarde. Também não havia dormido bem. Tinha tido um sono agitado, mas logo abandonou a ideia de ficar um pouco mais na cama e se levantou, pensando na montanha de coisas que precisava fazer na empresa.
Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente. Não prestou atenção no rosto cansado nem nas olheiras escuras, resultado das noites mal dormidas. Nem sequer percebeu um aglomerado de pêlos teimosos que escaparam da lâmina de barbear.
"A vida é uma sequência de dias vazios que precisamos preencher", pensou enquanto jogava a roupa por cima do corpo.
Engoliu o café e saiu resmungando, baixinho, um "bom dia" sem convicção. Desprezou os lábios da esposa, que se ofereciam para um beijo de despedida. Não notou que os olhos dela ainda guardavam a doçura de uma mulher apaixonada, mesmo depois de tantos anos de casamento. Não entendia por que ela se queixava tanto da ausência dele e vivia reivindicando mais tempo pra ficarem juntos. Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida da família, não estava? Isso não bastava?
Claro que ele não teve tempo para esquentar o carro nem sorrir quando o cachorro, alegre, abanou o rabo. Deu a partida e acelerou. Ligou o rádio, que tocava uma antiga canção de Roberto Carlos: "detalhes tão pequenos de nós dois..." Pensou que não tinha mais tempo pra curtir detalhes tão pequenos da vida. Anos atrás, gostava de assistir ao programa de Roberto Carlos nas tardes de domingo. Mas isso fazia parte de outra época, quando ele podia se divertir mais.
Pegou o telefone celular e ligou para a filha. Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos. Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar. Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto mas não podia, naquele dia, dar-se o luxo de sair da empresa. Agradeceu o convite mas respondeu que seria impossível. Quem sabe no próximo final de semana? Ela insistiu, disse que sentia muita saudade e que gostaria de poder estar com ele na hora do almoço mas ele foi irredutível: realmente, era impossível.
Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava totalmente lotada e era muito importante começar logo a atender seus compromissos pois tinha a plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa fiada.
No que seria a sua hora de almoço, pediu para a secretária trazer um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte. Começou a comer enquanto lia alguns papéis que usaria na reunião da tarde. Nem observou que tipo de sanduíche estava mastigando.
Enquanto relacionava os telefonemas que deveria, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou. Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up. Mas ele logo concluiu que era um mal-estar passageiro que seria resolvido com um café forte sem açúcar.
Terminado o "almoço", escovou os dentes e voltou à sua mesa. "A vida continua", pensou. Mais papéis para ler, mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir.
Saiu para a reunião já meio atrasado. Não esperou o elevador. Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus. Parecia que a garagem estava a quilômetros de distância, encravada no miolo da Terra e não no subsolo do prédio. Entrou no carro, deu a partida e, quando ia engatar a primeira marcha, sentiu de novo o mal-estar. Agora havia uma forte dor no peito. O ar começou a faltar... a dor foi aumentando... o carro desapareceu... os outros carros também... os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo foi sumindo diante de seus olhos ao mesmo tempo em que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem. Era como se um filme estivesse rodando em câmara lenta. Quadro a quadro ele via a esposa, o netinho, a filha e, uma após outras, todas as pessoas de que mais gostava.
Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto? O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava saindo, hoje de manhã? Por que não saiu com os amigos no último feriado? A dor no peito persistia, mas agora uma outra dor começava a perturba-lo: a do arrependimento. Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte, a da coronária entupida ou a de sua alma se rasgando.
Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu coração e de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas. Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto... Queria... Queria... Mas não havia mais tempo.

(Roberto Shinyashiki)

CRÔNICA: A ÚLTIMA CRÔNICA


A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim, um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem, em torno à mesa, a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

(Fernando Sabino)

CRÔNICA: DEZ COISAS QUE LEVEI ANOS PARA APRENDER



1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.

(Luís Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

REFLETINDO SOBRE A COMUNICAÇÃO


Você já parou pra pensar no "poder da palavra"?
Estamos tão acostumados a lidar cotidianamente com ela que sequer percebemos, na prática, como nos comunicarmos bem é importante - por vezes, definidor e definitivo! - em nosso dia-a-dia.
Sempre aconselho meus alunos a pensar na relação que andam estabelecendo com nosso querido idioma em seus pormenores. Eu os induzo a essa reflexão perguntando-lhes acerca não apenas das "gramatiquices", esse conhecimento de bolso cobrado em exames vestibulares e provas de concurso, mas da maneira como pensam e interagem com a nossa língua visando a atingir seus objetivos comunicativos. Vamos entender o que estou dizendo: o conhecimento puramente gramatical é importantíssimo, mas, na hora do "vamos ver" não o/a ajudará muito caso você não saiba como articular tal conhecimento à construção orgânica do ato comunicativo, levando em consideração todos os fatores envolvidos nesse processo.
Há uma importante tarefa que se coloca a todo aquele que inicia um ato de comunicação: certificar-se de que aquilo que será comunicado realmente seja codificado de uma forma que dê conta de atender a uma série de expectativas: a de quem fala, a de quem escuta ou lê e a do conteúdo que se pretende transmitir de maneira organizada, coerente, produtiva.
Efetivamente, quem não presta atenção no que diz, para quem diz e como diz, não está se comunicando.
Comunicar é transmitir de maneira eficaz uma informação ao seu interlocutor.
Se a informação não chegar ao seu destinatário, não poderemos dizer que houve, ali, processo comunicativo completo. Assim que pensar, refletir, selecionar melhor os elementos de que nos utilizaremos ao longo do caminho a percorrer se torne tarefa de enorme importância, merecedora de toda nossa atenção e cuidado.
É só parar para pensar no seguinte: fazemos, constantemente, adequações em nosso discurso em função do público ao qual o destinamos e do assunto que temos de transmitir a ele.
Ninguém fala com o diretor da empresa da mesma forma como se reporta ao colega de trabalho.
Da mesma forma, não falamos sobre assuntos delicados, como a morte de um ente querido, a uma criança ou a um adulto.
Ajustes são necessários o tempo todo.
E o conhecimento linguístico tem, posso lhes garantir, uma importância tremenda nessa reflexão sobre os objetivos a serem logrados num ato comunicativo. Essa importância se faz sentir desde a escolha do léxico empregrado até os meandros sintáticos e semânticos que perpassam toda a construção verbal do texto. E são vários os níveis de análise a que podemos submeter um texto verbal para lhe averiguar a boa organização e eficácia comunicativa, todos sabemos.
Estudar gramática, então, me ajuda a expressar melhor minhas ideias? Claro! Mas é preciso pensar em como a língua acontece e não apenas em como ela é descrita.
Você pode devorar manuais e mais manuais de gramática e, ainda assim, não obter a fluência textual que pretendia. E por que isso é assim? Porque uma coisa é você decompor o seu objeto de estudo e analisar-lhe as células, tecidos e órgãos. Outra coisa é entender como tudo isso se relaciona para um objetivo maior: a comunicação.
Por isso defendo o estudo aplicado da gramática da língua portuguesa; essa importante reflexão sobre a língua enquanto importantíssimo veículo de comunicação/interação entre os seus falantes.
Há quem diga, é fato, que o estudo gramatical é "bem chatinho" - e eu concordo, em partes, com tal declaração. Mas é a esse grupo específico que dirijo minha indagação final: "Será que você não está estudando o nosso idioma sob uma perspectiva equivocada? Será que você está, realmente, enxergando a aplicabilidade de tudo o que está aprendendo sob a forma de regras, nomenclaturas e classificações?"
Entenda: você só aprende, de verdade, um conteúdo ao qual atribui significado e relevância dentro do contexto do seu dia-a-dia.
Quem sabe se você parar de olhar para o estudo da língua como um amontoado infinito de "chatices" e passar a encará-lo como um importante auxiliar na construção verbal da sua realidade você não passe a aproveitar muito mais suas preciosas horas de estudo?
Fica registrado, aqui, o convite para que você experimente.
Um grande abraço a todos os leitores e até a próxima!


Prof. Daniel Vícola